Saturday, August 29, 2009

"Se eu largar eu sinto a sua falta
Se eu agarro ela perde a cor"


Borboleta - Foge foge bandido


As borboletas irritam-me. Esvoaçam feitas parvas ao comando do seu cérebro raquítico sem saberem o quão invejadas são por poderem voar, e ainda por cima de uma maneira tão descontraída, tão leve (ou pesada), sem regra e sem destino... Não reparam sequer na enorme devoção e contemplação dos seus admiradores, sempre atentos às suas cores, à sua delicadeza, ansiando por uma suposta serenidade que lhes fora prometida.
Os únicos insectos vistos com agrado e frequência nos contos de fadas - outra coisa que me irrita solenemente - são tão bonitos e tão frágeis como as próprias princesas acéfalas que ficam cegas de amor com um simples olhar e que esquecem qualquer mágoa graças ao príncipe encantado... Graças a um homem! Poupem-me...
A fragilidade perturba-me. Não se pode soprar, não se pode tocar na borboleta. Mas também não se pode deixar a pobre solta, sujeita a todas as intempéries, além de que o observador egoísta quer toda a delicadeza, toda a leveza, toda a beleza...só para ele. O problema é que ao prende-la e posteriormente submete-la a uma análise exaustiva, à lente da lupa, se vê que na realidade o tal ser encantador não passa de um insecto nojento. Aquele bicho parado e aumentado deixa de ser uma borboleta.

O bicho só é borboleta quando livre.
Deixa de o ser no momento em que a beijamos. No momento em que a desejamos. No momento em que a tentamos guardar.

Assim sendo: não se pode amar a borboleta.



Cortem-me as asas.

1 comment:

Narcisa D'Almeida said...

Ai prima...