Monday, October 13, 2008

Being a pink unicorn in a green field

Tive há tempos uma conversa, casual, descontraída, sobre que especialização gostaria de seguir, que me deixou, estranhamente, um pouco atarantada. O tema, de facto, pode realmente não ser tão descontraído como a conversa que originou, mas o primer do meu "aparvalhamento", apesar de se relacionar com o assunto, estende-se a muitos outros, visto que, caros leitores, me apercebi que...

Tan-ta-ran-tam...

...não tenho planos!

Eu disse planos, não disse objectivos nem ambições. Desses e dessas tenho para dar e vender!
Mas planos? Nops.
Conceptualizei fins, mas não fiz o mesmo aos meios. Não faço ideia do que vou fazer nos próximos tempos, dos caminhos que vou seguir, das opções que vou tomar.
Enquanto não andava na faculdade eu sabia que tinha de tirar boas notas e o que tinha de fazer para o conseguir com o mínimo de esforço possível. Tinha os meus amiguinhos, a minha ginástica, o meu mundinho e inquestionáveis certezas acerca de tudo que o compunha.
Agora as certezas que tenho são poucas e sobre pouca coisa.

Também é verdade que me fui apercebendo o quão inútil é para mim planear... nunca sigo os planos que faço! Logo eu, que nunca acreditei que houvesse um destino traçado para cada um de nós. Ainda não acredito. Mas, o rumo dos acontecimentos é tão exuberantemente indiferente ao meu planeamento que quase me convence de que realmente o meu poder de escolha é nulo.

Sim, tendo em conta que eu era uma menina-mulher das artes plásticas e que sou neste momento caloira de biomédicas...

Eu, que defendia arduamente que cada um tinha a capacidade de decidir quem amava...e que passei o secundário a sofrer continuamente por um amor que rejeitei, uma obessessão sem solução. Eu, que ia casar com ele...e que já não falo com ele à 4 meses e meio.

Os irmãos merda que nunca se separariam. Separaram-se.
As manitas "pergunta-lhe". Idem, aspas.

Eu que nunca teria uma curte, um caso de uma noite, porque era supérfulo e sujo, porque um beijo só deve ser dado a alguém especial. Ah ah ah ah, OMG! xDDD

Não tinha jeito para a ginástica. (?!?!)
Nunca ia usar calças justas.
Nem casacos compridos.
Muito menos as unhas pintadas de vermelho!

Tenho, uso, uso, pinto.

Enfim, eu que ia ser tão feliz de determinada maneira...
E que agora sou e espero que continuar a ser... De outra completamente diferente!



P.S. : Não, não consigo fugir a um pequeno plano: o de fazer durar e perenizar a amizade que nos une a todas desde o 7º ano (ou não, nalguns casos), o de estarmos todas juntas de 15 em 15 dias, o de vos fazer madrinha dos filhos que não planeio ter e de ser madrinha dos vossos. O de vos tentar manter junto a mim e de esperar que façam o mesmo. No Porto, no Estoril ou no Algarve... Seremos sempre NÓS.

Sunday, September 28, 2008

ICBAS

Integração, respeito, solidariedade e união.

Não são só palavras, são verdades que se podem constatar no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Um sentimento de pertença, um abanão aos preconceitos, um grito que nos une. Enfim, uma nova etapa que está agora a começar e que promete ser melhor do que a anterior!



"É BIO...!

...MÉDICAS!"

Thursday, September 11, 2008

Regras da Sensatez

A porta fechou-se com um leve estalido, comum quando a madeira incha devido à humidade, depois disso... O silêncio. Um silêncio total e absoluto, incomodativo, como tudo o que é total e absoluto, um silêncio que me empapava a pele e os sentidos, escorrendo com dificuldade por cada milímetro do meu corpo.
A partir daquele vulgaríssimo dia de meio-sol não voltei à porta daquele primeiro andar. Até hoje. Hoje abri sem dificuldades uma porta principal nova e envernizada, percorri um corredor fresco e caiado, seguido de um lanço de escadas recentemente lavadas e parei em frente ao tal apartamento. O da porta, o do silêncio.
Então, chorei. Chorei tudo o que não tinha chorado na altura certa de chorar, o que revestiu o meu choro de um ridículo inegável e humilhante. Mas, enfim, não houve nada a fazer.
Subi mais um lanço de escadas, outra porta, o cheiro a fritos e a biscoitos do segundo andar do prédio da minha infância.

"Olá! Desculpem o atraso! Foi do trânsito, sabem, é sempre a mesma coisa a esta hora. Então, está tudo bem?"