Monday, January 12, 2009

Sorri

Acordou com o barulho dos tão conhecidos passos da mãe no seu quarto, falaram brevemente porque o sono ainda lhe toldava o raciocínio, ouviu-se a porta chiar, bater e, por fim, o silêncio.
Voltou a adormecer.

Sentiu o telemóvel tremer. Adormeceu de novo.

O telefone de casa a tocar, a voz da empregada afirmava que a Sra. Dra. não estava, tinha ido para a escola...
"Ei, que horas são??" - não muito tarde...



Bocejou, olhou em redor: a luz do sol encolhia-se para passar pelas frinchas da persiana mal fechada, brilhando de exaustão quando penetrava finalmente naquele quarto desarrumado que ainda dava ares de aposentos de uma qualquer princesa sonhada durante a noite anterior. As lombadas dos livros da primeira prateleira da estante reluziam, berravam títulos, choravam e riam frases de amores impossíveis, mas consumados. Os peluches eram meros vultos, contrastando com a luz, impedindo também a sua entrada. Os colares e os brincos espalhados na cómoda reflectiam esta luz cansada, provocando brilhos de diferentes cores nas paredes alvas. A rapariga observava o espectáculo, a batalha entre a luz do sol e os vários batalhões do seu exército de objectos mais ou menos úteis.



Sentei-me na cama, rendi-me à luz e sorri.

Wednesday, November 26, 2008

Penélope'pita's

E viv'às alcunhas estúpidas!
Que venham mais "enterranços" depravados!
Mais aulas de química de 15 minutos!
Mais discussões inúteis a cerca de dilemas praxísticos no piolho!

Enfim, que todos os dias sejam como este e que, de penico vermelho na cabeça, eu me sinta sempre tão feliz...!

Monday, October 13, 2008

Being a pink unicorn in a green field

Tive há tempos uma conversa, casual, descontraída, sobre que especialização gostaria de seguir, que me deixou, estranhamente, um pouco atarantada. O tema, de facto, pode realmente não ser tão descontraído como a conversa que originou, mas o primer do meu "aparvalhamento", apesar de se relacionar com o assunto, estende-se a muitos outros, visto que, caros leitores, me apercebi que...

Tan-ta-ran-tam...

...não tenho planos!

Eu disse planos, não disse objectivos nem ambições. Desses e dessas tenho para dar e vender!
Mas planos? Nops.
Conceptualizei fins, mas não fiz o mesmo aos meios. Não faço ideia do que vou fazer nos próximos tempos, dos caminhos que vou seguir, das opções que vou tomar.
Enquanto não andava na faculdade eu sabia que tinha de tirar boas notas e o que tinha de fazer para o conseguir com o mínimo de esforço possível. Tinha os meus amiguinhos, a minha ginástica, o meu mundinho e inquestionáveis certezas acerca de tudo que o compunha.
Agora as certezas que tenho são poucas e sobre pouca coisa.

Também é verdade que me fui apercebendo o quão inútil é para mim planear... nunca sigo os planos que faço! Logo eu, que nunca acreditei que houvesse um destino traçado para cada um de nós. Ainda não acredito. Mas, o rumo dos acontecimentos é tão exuberantemente indiferente ao meu planeamento que quase me convence de que realmente o meu poder de escolha é nulo.

Sim, tendo em conta que eu era uma menina-mulher das artes plásticas e que sou neste momento caloira de biomédicas...

Eu, que defendia arduamente que cada um tinha a capacidade de decidir quem amava...e que passei o secundário a sofrer continuamente por um amor que rejeitei, uma obessessão sem solução. Eu, que ia casar com ele...e que já não falo com ele à 4 meses e meio.

Os irmãos merda que nunca se separariam. Separaram-se.
As manitas "pergunta-lhe". Idem, aspas.

Eu que nunca teria uma curte, um caso de uma noite, porque era supérfulo e sujo, porque um beijo só deve ser dado a alguém especial. Ah ah ah ah, OMG! xDDD

Não tinha jeito para a ginástica. (?!?!)
Nunca ia usar calças justas.
Nem casacos compridos.
Muito menos as unhas pintadas de vermelho!

Tenho, uso, uso, pinto.

Enfim, eu que ia ser tão feliz de determinada maneira...
E que agora sou e espero que continuar a ser... De outra completamente diferente!



P.S. : Não, não consigo fugir a um pequeno plano: o de fazer durar e perenizar a amizade que nos une a todas desde o 7º ano (ou não, nalguns casos), o de estarmos todas juntas de 15 em 15 dias, o de vos fazer madrinha dos filhos que não planeio ter e de ser madrinha dos vossos. O de vos tentar manter junto a mim e de esperar que façam o mesmo. No Porto, no Estoril ou no Algarve... Seremos sempre NÓS.