Thursday, June 25, 2009

Vício de mim

Apetece-me arrancar a aorta das tuas emoções e com aquele último esguicho arterial escrever "beija-me" em tons de raiva nas paredes do teu quarto.
Apetece-me inspirar a tua vida directamente da válvula semilunar, já exausta, do teu coração corrompido. Engasgar-me com o teu sangue. Morrer contigo.

O teu silêncio faz-me mal. A tua calma enfurece-me, a tua serenidade desperta este meu incontrolável instinto assassino. Quero que desesperes, que berres, que a tua vida aparentemente perfeita se torne caótica ao ponto de te enredares em todos os vícios: álcool, jogo, tabaco, droga, eu. Sim, eu; eu que sou absinto, Ás de copas, charuto cubano e a tua mais estimada droga alucinogénia num só corpo, consumível num só acto.
Fode-me. Fode-me porque a tua vida é fodida e porque ao foder-me ainda a estás a foder mais. E claro, a seguir...fode-me outra vez.
(E que recomece o ciclo...)

O teu mal faz-me bem, o desalinhamento do teu cabelo, as tuas olheiras profundas, o teu hálito alcoolizado, e até o teu choro bêbado, me comovem e me fazem querer abraçar-te para nunca mais te largar. Mantém-te assim, triste e perdido para mim, mantém-te meu e entrelaçado nas minhas pernas. Não queiras que mais ninguém se magooe.

Monday, June 01, 2009

Situações

São momentos, mais ou menos coerentes, mais ou menos decentes, que acabam por influenciar a nossa vida, não sabemos é como e durante quanto tempo. Sabemos apenas que descortinam hipóteses e nos permitem visualizar ténues horizontes e esperanças que nunca pensamos que existissem.

São episódios que surgem contra todas as expectativas e provocam uma volta de 180º no rumo da nossa pequena existência.

São coisas que acontecem.

Que nos fazem ver o futuro de maneira diferente e que até nos podem fazer sorrir... ou chorar.

Enfim...
São situações.

Sunday, May 10, 2009

Não sei

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

Mariza - Chuva



Não sei como nem porquê, mas já marcaste a minha história.

Arranhaste o meu peito, desfolhaste a rosa branca e deixaste-me a rodopiar sozinha e nauseada no salão nobre dos recônditos de um coração que julguei ser o teu. Caí. O salão girava em torno dos espinhos do caule da rosa e a náusea aumentava, tornando-se insuportável, tentei ver além da luz e do brilho da falsa festa que é entregar-me a ti. Tentei ver-te, mas já não estavas lá.
Apaguei.

Acordei.
Já só restavam as carcaças imundas de uma saleta rasca, sem cor e sem adornos. Apenas a música, ah... a minha música! Estive sempre aqui. Pensei que tinha entrado na tua vida, mas foste tu que te esgueiraste sem pudor para o interior da minha, alojaste-te num local obscuro do meu coração que nem eu conheceria se não fosse o teu descaramento e encanto corriqueiro.

Já sei porquê. Já sei porque marcaste a minha história.